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Reinaldo Polito


Quer falar em público tão bem como Obama? 5 pontos que você deve 'copiar'

Everton Rosa/Divulgação
Imagem: Everton Rosa/Divulgação
Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

11/09/2019 04h00

A arma mais forte contra discurso de ódio não é a repressão; é mais discurso
Barack Obama, em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 2012

Mesmo fora da presidência dos Estados Unidos, Barack Obama ainda é visto como um dos melhores oradores de todos os tempos. Qual o segredo do seu sucesso? Como ele consegue encantar plateias do mundo inteiro? Vamos analisar cinco de suas características mais relevantes como orador.

Essa análise poderá ser útil para o aprimoramento da sua própria comunicação, já que as qualidades de Obama podem ser aplicadas com relativa simplicidade. Depois de ler o texto, procure alguns discursos dele na internet e faça suas observações. É um ótimo exercício.

1) Obama fala para fora e não é monótono

Esse é um grande problema de muitas pessoas que falam em público: falar para dentro e, quase sempre, de forma monótona, sem vida, sem ritmo. Alguns falam tão baixo que a voz não chega até os ouvintes. É natural que essa falta de energia na voz e esse jeito monocórdio de se expressar prejudiquem o interesse e tirem a atenção da audiência.

Obama não tem preguiça de falar. Ele fala para fora, com volume de voz envolvente. Essa característica da sua comunicação projeta sua personalidade marcante e demonstra que ele está sempre motivado e interessado na mensagem que transmite. O ex-presidente americano não grita, não agride, não ultrapassa a linha do bom senso. Só se exalta em situações especiais, quando o tema exige um tom mais eloquente.

Embora sua fala seja pausada e bastante cadenciada, ele alterna com perfeição o volume da voz e a velocidade da fala, imprimindo um ritmo agradável e cativante em seus discursos. As pausas prolongadas, silenciosas, são uma demonstração do domínio e controle que possui sobre os temas que aborda.

É fácil deduzir que, se as pessoas precisam fazer esforço para ouvir o que você fala, em pouco tempo deixarão de se interessar pela apresentação. Por isso, habitue-se a falar mais alto. Quase sempre as pessoas falam baixo por negligência. Para melhorar o ritmo, o exercício é simples: leituras de poesia em voz alta. O resultado é ótimo.

Portanto, não negligencie. Fale para fora. Mesmo que você tenha uma voz pequena, se aumentar um pouco o volume, poderá ser suficiente para que a sua comunicação seja mais interessante. Quando você fala mais alto —sem irritar as pessoas, evidentemente—, assim como Obama, demonstra envolvimento e disposição para transmitir a mensagem.

2) Obama usa linguagem simples

Ninguém precisa fazer esforço para entender as mensagens de Obama. Seu vocabulário é simples, facilmente compreensível por pessoas de todos os níveis culturais e sociais. Ele fala como se estivesse conversando com cada um dos ouvintes. Por esse motivo, seus discursos são interativos e admirados por pessoas de elevado nível intelectual e compreendidos por aqueles que não possuem muita escolaridade.

Esse é um problema recorrente. Já observou como as pessoas que vão falar em público ou conversar em ambientes mais formais, quase sempre, agem de maneira diferente? Mudam o jeito de se expressar, procuram palavras incomuns, constroem frases invertendo a ordem natural. Por exemplo, em vez de dizerem "eu estava vindo para este encontro", dizem "estava eu me dirigindo a este encontro".

Ora, se as palavras rebuscadas e esse tipo de construção das frases não fazem parte da comunicação do dia a dia, não será difícil deduzir que a pessoa se sentirá artificial e insegura para se apresentar. Esse é um bom exemplo de Obama: quanto mais simples e próxima do cotidiano for a comunicação, mais eficiente será o resultado da apresentação.

3) Obama não se comporta como se fosse um robô

Obama possui boa gesticulação. Os movimentos dos braços acompanham com perfeição o ritmo e a cadência da fala. Ele não incorre em nenhum dos dois erros mais comuns da gesticulação. O primeiro, e mais comum, é o de ficar parado, sem nenhum movimento. O segundo, e geralmente mais grave, o de fazer gestos o tempo todo.

Analise se você não apresenta nenhum desses defeitos. Se não souber o que fazer com as mãos, até que consiga aprender, prefira não fazer gestos. Obama não fica gesticulando o tempo todo. Em certas situações, poucos movimentos do braço poderão ser suficientes para dar vida à fala e quebrar a rigidez da postura. Quando Obama não gesticula, o seu semblante expressivo é suficiente para complementar as informações.

Falando em rigidez da postura, Obama se comporta na tribuna sempre girando sutilmente o corpo de um lado para o outro para manter comunicação visual com as pessoas. Mesmo nas circunstâncias em que faz uso do teleprompter, o que ocorre com frequência, dá a impressão que olha e vê todos os ouvintes.

4) Obama tem sequência lógica do raciocínio

Às vezes dá a impressão de que Obama improvisa suas falas. Em certos momentos, até improvisa mesmo, mas apenas quando a circunstância sugere essa possibilidade, pois, assim, ao se aproveitar de informações que nascem no próprio instante da apresentação, mostra que a mensagem é adequada para aquela plateia.

De maneira geral, entretanto, seus discursos são rigorosamente planejados, com começo, meio e fim. Sabe como conquistar a torcida dos ouvintes no início da apresentação, como instruir as pessoas para que compreendam com mais facilidade a mensagem, como se valer dos melhores argumentos para convencer ou persuadir o público, como contar histórias para manter e recuperar a atenção do auditório, e como chegar ao final em condições de pedir que reflitam ou ajam de acordo com suas propostas.

Lembre-se de que você só terá segurança para se apresentar se souber exatamente o caminho que irá percorrer. Por isso, tenha domínio da sequência da sua apresentação. Não tente decorar as palavras, pois o risco de se esquecer de um vocábulo poderá ser fatal. Decore apenas a sequência. Assim, evitará a demonstração de artificialismo, e, como ocorre com Obama, poderá ter liberdade para aproveitar os fatos que nascem no ambiente.

5) Obama tem um discurso para cada plateia

Talvez essa seja a maior e melhor qualidade da comunicação de Obama —ele se apresenta de maneiras distintas para os diferentes tipos de ouvintes. Quando veio ao Brasil, ainda como presidente dos Estados Unidos, se apresentou em diversos ambientes, para variados tipos de públicos. Em cada situação teve uma mensagem adequada aos ouvintes e uma forma peculiar para transmitir as informações.

Siga esse comportamento do grande orador. Procure saber qual será a característica predominante da plateia. Se for constituída de jovens, fale do amanhã, do futuro, de desafios, de planos. Se for formada por pessoas mais idosas, fale do passado, de realizações, de experiência. Se forem leigos no assunto, trate do tema de maneira mais superficial. Se forem especialistas, precisará aprofundar mais as informações.

Aí estão cinco das qualidades que considero mais importantes na comunicação de Obama. Lógico que poderíamos enumerar uma infinidade de outros aspectos que ajudaram a transformá-lo nesse orador excepcional que passamos a admirar. A partir desse rápido estudo, você terá condições de observar vários outros pontos importantes da comunicação dele.

Obama encerra mandato com frase que marcou campanha de 2008

UOL Notícias

Superdicas da semana:

  • Saiba qual a sequência da sua apresentação, desde o início até a conclusão
  • Fale sempre um pouco mais alto do que falaria normalmente
  • Alterne sempre o volume da voz e a velocidade da fala
  • Adapte a maneira de transmitir a mensagem de acordo com o perfil predominante dos ouvintes

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante; "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Oratória para advogados", "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva; e "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL