IPCA
0.13 Mai.2019
Topo

Empreendedorismo


Não falava inglês, mas abriu franquia de idioma e fatura R$ 5 milhões/ano

Lívia Barreto

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2018-12-18T04:00:00

18/12/2018 04h00

O ex-perueiro Adriano Dantas, 41, não falava inglês nem tinha dinheiro para bancar um negócio de educação de línguas estrangeiras. Mesmo assim, em 2007, resolveu abrir uma franquia de uma escola de inglês. Conseguiu o dinheiro refinanciando seu carro.

Hoje é franqueado de quatro escolas de inglês, faturou R$ 5 milhões em 2017 e prevê R$ 5,5 milhões para este ano. O lucro não foi revelado. Dantas e seus sócios empregam 85 pessoas, já formaram mais de mil alunos e pretendem abrir mais seis escolas até 2022 no interior de São Paulo. O antigo perueiro ainda ocupa o cargo de diretor comercial da Minds, rede de franquias onde é investidor e operador das escolas. Diz que aprendeu inglês há três anos.

Leia também:

Perueiro na praia na década de 90

Ele começou a trabalhar como perueiro na década de 90, em São Vicente (litoral de São Paulo). Aos 18 anos, Dantas havia perdido o emprego em um bingo e resolveu trabalhar na Kombi antiga que seu pai havia comprado para transportar passageiros.

"Equipei o carro com som, dava balinhas para os passageiros, grafitei um Homem-Aranha bem grande na porta do motorista e comprei um boné do personagem. Meu cobrador era DJ também, então, sempre colocávamos as músicas do momento", disse. "Resultado: eu faturava seis vezes mais (algo em torno de R$ 450 a R$ 500 brutos por dia nos valores de hoje) do que o motorista contratado", afirmou.

Para conseguir fazer a perua ser tantas vezes mais lucrativa, também almoçava um lanche dentro do veículo e dirigia das 5h30 às 22h sem parar.

Mas as coisas mudaram. "Houve uma regulamentação do setor, e, para rodar, era necessário ter um veículo com até dois anos e bancos de couro. Não tive a visão de investir em uma van nova, eu gastava tudo que ganhava e meu pai também."

Por conta da regulamentação e das vagas limitadas que a prefeitura de São Vicente colocou à época, o negócio foi perdido.

Venda de aulas de inglês

A entrada no segmento de idiomas veio pela indicação de um amigo. "Ele disse que eu tinha um perfil muito forte de liderança e sugeriu para tentar oportunidades em vendas de cursos de idiomas", afirmou.

Então, Dantas foi aprovado em uma rede de idiomas e, de fato, se destacou. Entre deslocamentos para outras cidades e alguns percalços, em 2007, Dantas e suas duas sócias (a esposa, Patrícia Dantas, e Kelly Guedes) receberam um convite da CEO da rede, Leiza Oliveira: voltar para Santos (SP) e abrir a primeira escola da Minds na cidade.

"Estava em êxtase. Voltar para casa, perto dos meus amigos. Não tinha o capital suficiente para abrir a escola, então, refinanciei meu carro e entrei na sociedade". Na época, Dantas investiu cerca de R$ 50 mil.

Depois de alguma dificuldade, o grupo de sócios resolveu apostar em São Bernardo do Campo (SP) em 2008. "Já tínhamos experiência e chegamos fazendo muitas parcerias. Em seis meses, a unidade se pagou."

Quatro anos depois, em 2012, foi a vez de o grupo inaugurar unidade no bairro do Paraíso, em São Paulo. Em março deste ano, abriram unidade em uma travessa da avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul da capital paulista.

Aprendizado em 18 meses e viagens internacionais

Além de a Minds trabalhar com metodologia de ensino em 18 meses, a rede de franquias lançou algumas novidades ao longo deste ano: a criação de uma agência de intercâmbio, a Minds Travel, para facilitar a viagem de seus estudantes com pagamento integrado à mensalidade das aulas, curso presencial e online. As aulas também têm games.

Hoje, a Minds soma 72 escolas em todo o Brasil, com investimento a partir de R$ 250 mil.

Confira os dados da franquia fornecidos pela empresa:

  • Investimento inicial: a partir de R$ 250 mil (inclui taxa de franquia, instalação e capital de giro)
  • Royalties: isento
  • Taxa de publicidade: 3% do faturamento por mês
  • Faturamento médio mensal: R$ 50 mil
  • Lucro médio mensal: de 25% a 35%
  • Prazo de retorno: 24 meses

Misturar curso presencial e online é ponto positivo

Enio Pinto, especialista em empreendedorismo do Sebrae, disse que é importante o empresário prestar serviço online, para estar sempre perto do cliente, em seu celular. "Por isso, essa estratégia de curso presencial e online é muito positiva", declarou.

Embora o investimento em franquias seja mais seguro do que um voo solo, alguns cuidados são interessantes de ser tomados por quem estuda o segmento com interesse.

"Entrar em franquia é pegar carona no sucesso dos outros e não inventar a roda. Por isso, é um excelente negócio para quem não tem experiência anterior ou perfil empreendedor, já que a mortalidade de empresas independentes é de 27% após os dois primeiros anos. No franchising, esse percentual despenca para 3%, e ainda há a possibilidade de recompra por parte do franqueador", disse o especialista do Sebrae.

Onde encontrar:

Minds - mindsidiomas.com.br

Mais Empreendedorismo