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Risco-Brasil sobe 33% e afeta investidores; veja onde aplicar agora

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, de São Paulo

17/10/2021 04h00

No horizonte dos investidores brasileiros são inúmeros os motivos de preocupação: inflação em alta, instabilidade política, crise hídrica e risco fiscal. O cenário instável elevou a percepção de risco do país. Considerando um prazo de cinco anos, o CDS Brasil (Credit Default Swap) passou de 150 pontos no início do ano para cerca de 200 pontos agora —uma alta de 33%.

O indicador mede a percepção que os investidores têm do país. Quanto mais alto for o valor do índice, maior a percepção de que o Brasil não é um país seguro para investir. "É um seguro contra calote", afirma Gabriel Floriano, analista macroeconômico da casa de análises Levante. Segundo ele, considerando um prazo de 10 anos, o aumento foi de quase 35%.

Além disso, dados do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas) mostram piora na confiança tanto dos empresários como dos consumidores na economia do país. Nesse cenário, é possível se proteger? Onde investir diante do aumento do risco? Veja abaixo o que disseram os especialistas ouvidos pelo UOL.

Desconfiança dos empresários e dos consumidores

Segundo o Ibre-FGV, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) saiu de 101,2 pontos, em agosto, para 99,3 pontos, em setembro. O recuo se deu em todos os setores monitorados: indústria, comércio, serviços e construção.

Do lado dos consumidores, a retração da confiança foi da ordem de 11,5 pontos, queda pelo segundo mês consecutivo, para 74,6 pontos. Caso confirmada a prévia de setembro, será o menor resultado desde abril deste ano, quando o indicador estava em 72,5 pontos.

Para o CEO da Mauá Capital e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, a desconfiança tem origem no controle do aspecto sanitário durante a pandemia.

"Quando se olha para o lado econômico, não dá para dizer que o país lidou mal com a economia. Houve uma grande expansão monetária para que as atividades continuassem funcionando. No lado da saúde, porém, foi um desastre, e isso gerou uma percepção muito negativa de como o Brasil conduziu o processo", afirma Figueiredo.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2020, primeiro ano da pandemia, o PIB do Brasil caiu 4,1% —a pior queda em 24 anos. A taxa média anual de desemprego no país foi de 13,5% ano passado, a maior já registrada desde o início da série histórica em 2012.

Já os dados mais recentes mostram que o PIB encolheu 0,1% no segundo trimestre, em relação ao primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, período em que o país foi mais afetado pela primeira onda da covid-19, a economia cresceu 12,4%.

Segundo Roberto Attuch Jr, CEO da casa de análise de investimento OhmResearch, a alta no grau de incerteza está relacionada à antecipação do debate eleitoral.

"O mercado está nesse 'looping' sobre se vai continuar o auxílio emergencial e em torno da aprovação da PEC dos Precatórios. Isso porque os investidores entendem que a principal agenda do governo é comprar popularidade, para que tenha competitividade em 2022", diz Attuch Jr.

Onde investir diante do aumento do risco?

Para analistas de mercado consultados pelo UOL, os investidores devem refletir sobre os objetivos de curto, médio e longo prazo. Ser mais rigoroso na hora de investir, principalmente quando o assunto é renda variável, também está entre as instruções. O momento é de cautela, mas não de pânico, ressaltam os especialistas.

"O investidor deve ter mais seletividade. Com os problemas, naturalmente ele encurta o prazo médio desses investimentos", afirma Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

Aposta na renda fixa e cautela na Bolsa

Segundo o Banco Central, a expectativa divulgada no último Boletim Focus é de que a Selic, hoje em 6,25% ao ano, encerre 2021 em 8,25%. Para uma rápida comparação, a taxa básica de juros estava em 2% até março de 2021.

Com a mudança do cenário, o Original reduziu a recomendação para compras na Bolsa de Valores, e reforçou as fichas em renda fixa. Neste caso, Caruso alerta que é necessário esperar o prazo de vencimento daquele título para obter os rendimentos de maneira integral.

Para quem tem maior apetite por riscos, a indicação é de empresas da economia real, como dos setores de energia e bancos.

"Não acho que as perspectivas dos ativos seja muito negativa, porque já tem muito dessa perspectiva embutida. A Bolsa de Valores do Brasil é, hoje, uma das piores do mundo [está barata], e o prêmio de risco [possibilidade de retorno] é do tamanho de um elefante", afirma Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Capital.

O especialista os fundos imobiliários e ativos com juros de longo prazo, como debêntures e os títulos do Tesouro, a exemplo do Tesouro IPCA (pós-fixado, com pagamentos semestrais), como opções interessantes.

"Um produto que paga a inflação mais 5% ao ano é muita coisa. Você não encontra isso em nenhum lugar do mundo", diz Figueiredo.

Investimentos gringos ajudam a proteger a carteira

A estrategista de ações da XP Investimentos, Jennie Li, argumenta que é importante fazer uma diversificação da carteira, sobretudo com ativos internacionais, como os que compõem o índice S&P 500 —principal índica da Bolsa de Nova York e que corresponde às 500 maiores empresas dos EUA.

"Eles [ativos internacionais] mexem por outros motivos, mas estão mais protegidos da incerteza interna", diz.

Na Bolsa, Li acredita que companhias de commodities e exportadoras, mais expostas ao cenário de crescimento global, podem ser um bom negócio.

Para se proteger da volatilidade interna, Attuch Jr indica a compra de BDRs, certificados que representam ações de empresas abertas em Bolsas estrangeiras. "O cenário do Brasil é extremamente incerto nos próximos 12 meses", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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