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Fundo de investimento é dono de shows de Gusttavo Lima; como funciona isso?

Veja como funciona e os riscos desse tipo de aplicação em direitos autorais - Reprodução/ Instagram @gusttavolima
Veja como funciona e os riscos desse tipo de aplicação em direitos autorais Imagem: Reprodução/ Instagram @gusttavolima
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

30/05/2022 17h43

Os shows do cantor Gusttavo Lima estão em alta pelo interior brasileiro, até em cidades pequenas e com orçamento apertado para bancar saúde e educação. A agenda do cantor chamou a atenção, inclusive do Ministério Público, após cantores de sertanejo criticarem a cantora Anitta e artistas que recebem dinheiro via Lei Rouanet. Depois das críticas, foi revelado que os cantores ganham milhões de reais de prefeituras Brasil afora.

No caso de Gusttavo Lima, há um detalhe: a plataforma de investimento One7, com sede em Tatuí (SP) e com escritórios na capital paulista e também em Palo Alto, Califórnia (EUA), tem um fundo de investimento que fatura em cima do rendimento de Gusttavo e mais seis artistas com shows e execução de músicas. Trata-se de um fundo de direitos creditórios.

Veja abaixo o que é o fundo, como ele funciona e quais são os riscos.

Como funciona

O fundo Four Even FDIC, da One7, adiantou dinheiro às produções de shows dos artistas Gusttavo Lima, Cesar Menotti e Fabiano, Sorriso Maroto, Dubzdogs, Vintage Culture, Clayton e Romário e Junior Marques. Com esses recursos adiantados, o fundo passou a ser dono das vendas relacionadas a 192 shows.

À medida que os shows vão acontecendo, a receita gerada pela venda de ingressos entra no fundo, que então remunera os cotistas da carteira.

O ganho ocorre porque o dinheiro adiantado aos artistas é menor que a renda final gerada pelos ingressos de cada evento. Isso é feito a partir de cálculos que consideram médias de vendas e projeções de futuras bilheterias.

O fundo foi criado em 23 de março de 2021 e tem atualmente patrimônio de R$ 129,7 milhões.

O valor da cota estava em R$ 3.363,13 no dia 26 de maio, alta de 108,7% ante o valor de R$ 1.611,60, em 31 de dezembro de 2021.

Rentabilidade mensal em 2022:

  • Abril de 2022: +6,96%
  • Março de 2022: +23%
  • Fevereiro de 2022: +7%
  • Janeiro de 2022: 15,25%

O fundo cobra uma taxa de administração de 0,24%.

A má notícia para o pequeno investidor é que o regulamento desse fundo só permite aplicação do chamado investidor profissional, pessoa física ou jurídica que tem mais de R$ 10 milhões em aplicações financeiras e que ateste essa condição por escrito.

Quais os riscos?

O investidor corre o risco de receber menos do que aplicou se as vendas dos shows ficarem abaixo do planejado.

Outro risco é o de haver calote no meio do caminho. Um show de Gusttavo Lima cancelado, por exemplo, pode afetar o retorno programado pelo gestor da carteira.

Além disso, os resgates dependem do vencimento das séries emitidas ao longo da vida do fundo. Se a cota estiver relacionada a uma série emitida com prazo de dois anos, por exemplo, o dinheiro só pode ser resgatado ao fim desse prazo.

Outros fundos

Há outros modelos de fundos de investimento que buscam ganhos em cima de trabalhos de artistas, como dois fundos da plataforma de investimentos Hurst, que aplica em direitos autorais de artistas como Paulo Ricardo, ex-vocalista da banda RPM.

Durante 78 meses, a cada execução dessas obras - em rádio ou TV, plataformas de streaming ou mesmo em shows ao vivo - uma parte do pagamento é repassada ao cotista do fundo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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