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Microcrédito ajuda empresária a aumentar vendas em 50%

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/07/2013 06h00

Dona de uma loja de roupas há cinco anos em Salto de Pirapora (124 km a oeste de São Paulo), Eveline Garcia, 29, recorreu ao microcrédito para fazer sua empresa crescer.

Em 2011, ela pegou um empréstimo de R$ 5.000 com o Banco Pérola e ampliou o estoque dos itens que mais saem: blusas, jeans e bolsas. Como resultado do investimento, a loja aumentou as vendas em 50% e fatura R$ 15 mil por mês.

O Banco Pérola é uma ONG (organização não governamental) de microcrédito criado pela empreendedora Alessandra França, 27, em Sorocaba (99 km a oeste de São Paulo).

De lá para cá, Garcia solicitou mais dois empréstimos no mesmo valor para expandir o negócio. “Mudamos para um novo espaço duas vezes maior. A loja antiga era pouco maior do que uma garagem”, diz.

O novo endereço, segundo a lojista, fica em uma rua mais movimentada, próximo a um supermercado. “O fluxo intenso de pessoas ajudou a aumentar as vendas”, declara.

A empresária afirma, ainda, que já recorreu a empréstimos nos grandes bancos, mas, no Pérola, encontrou menos burocracia. “Nos bancos grandes é mais difícil conseguir crédito. E quando eles liberam, às vezes, o valor é menor do que o solicitado.”

Microcrédito ajuda na criação de novos negócios

Iniciativas de microcrédito são importantes para que micros e pequenos negócios possam sair do papel e crescer, segundo o sócio-diretor do instituto de pesquisa em baixa renda Data Popular, Renato Meirelles.

“A vontade de empreender do brasileiro nunca esteve tão alta, mas, muitas vezes, esbarra na falta de informação e de dinheiro. O microcrédito supre parte desta carência.”

Quanto à falta de informação, o especialista declara que os microcréditos orientados –quando agentes do banco acompanham os passos da empresa– atendem melhor essa necessidade.

“Nesse tipo de empréstimo, o empreendedor é instruído a gerir os recursos do negócio com mais eficiência e a investir melhor”, declara.

Empreendedor deve se planejar antes de tomar empréstimo

De acordo com Meirelles, antes de recorrer a um empréstimo, o empreendedor deve fazer um planejamento. “Ele precisa ter foco, saber em que vai investir, qual será o retorno da operação e se vai ter condições de pagar em dia.”

O diretor do Data Popular afirma, ainda, que vale a pena conversar com outros empreendedores que tenham recorrido ao mesmo tipo de crédito para saber se as condições apresentadas pela instituição são verdadeiras.

“Nada melhor do que a experiência de quem já passou pela mesma situação para dizer se o empréstimo é ou não vantajoso para o empreendedor.”

ONGs também precisam ser avaliadas

De acordo com o diretor do centro de negócios sociais da faculdade ESPM, Ismael Rocha Junior, por serem empresas, inclusive com CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), as ONGs –como é o caso do Banco Pérola– também podem enfrentar problemas de gestão.

Para ter mais garantia de que o trabalho da ONG é sério, Rocha Junior diz que a população pode verificar se a instituição possui título de Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), dado pelo governo federal. A pesquisa pode ser feita no site do Ministério da Justiça.

“Para receber este título é preciso comprovar com documentos a legitimidade do negócio. É um degrau acima da ONG”, afirma.

Além disso, segundo o diretor da ESPM, algumas ONGs divulgam o balanço de sua receita e dos gastos, incluindo salários dos funcionários, em seus sites.

“Esse já é um ponto positivo porque demonstra maior seriedade da instituição. Mas a população também pode avaliar se aquele salário condiz com o padrão de vida que os funcionários levam”, declara.