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Portas abertas para as grandes ideias: o ambiente de inovação da Pormade

Rafael Jaworski, diretor de RH da Pormade Portas: "Ninguém é punido por errar. Pelo contrário" - Divulgação/Pormade Portas
Rafael Jaworski, diretor de RH da Pormade Portas: "Ninguém é punido por errar. Pelo contrário" Imagem: Divulgação/Pormade Portas

Bruno Lazaretti

Do UOL, em São Paulo

01/12/2020 15h02

Resumo da notícia

  • Pormade Portas venceu o Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar 2020 na categoria "Ambiente de Inovação Mais Incrível"
  • 43% dos funcionários afirmam que principal traço da empresa é a criatividade; 52% já sugeriu inovações e 80% delas foram implementadas
  • CEO iniciou uma cultura disruptiva em 1988 após receber conselho em viagem ao Japão: "Erros são tesouros"
  • Os 700 colaboradores são organizados em 29 Grupos de Melhorias, em todos os níveis da empresa, que se reúnem a cada 7 ou 15 dias
  • "Programa dos 5 Dias" remunera criador de inovação bem-sucedida com o equivalente a 5 dias do resultado financeiro que ela gerou
  • Empresa detem 35% do mercado nacional de portas para a construção civil

A vencedora do Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar 2020 na categoria "Ambiente de Inovação Mais Incrível" não é uma multinacional do Vale do Silício ou uma fintech do "condado", como ficou conhecida a região da Avenida Faria Lima, em São Paulo. É a Pormade, uma indústria que fabrica cerca de 2 mil portas por dia, na fronteira do Paraná com Santa Catarina. E por trás dessa conquista está uma cultura de incentivo ao risco e à inovação que começou muito antes da palavra "disruptivo" ter entrado no dicionário brasileiro.

Ficha Pormade Portas - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL
Quando Cláudio Zini, o proprietário da empresa, visitou o Japão com uma comitiva de empresários em 1988, uma frase dita por um empresário local nunca mais saiu de sua cabeça: "Erros são tesouros". Leitor assíduo de gurus de executivos, como Peter Drucker, Zini voltou transformado pela visita, onde conheceu modelos de gestão participativa com alto grau de rendimento.

Quando pôs os pés de volta no Brasil, resolveu escrever uma tábua de valores, com 10 novos "mandamentos" para a empresa de carpintaria que sua família havia fundado há quase meio século, em 1939. Mas esta não é uma tábua de valores qualquer. O item 3, por exemplo, sugere "desobedecer para fazer melhor". O 4 prega "inovar é errar, sem perder a esperança". O 7 pede para "amar as mudanças, assim como as odiávamos no passado".

"Hoje em dia, todas fazem esse tipo de gestão. Uma empresa de sucesso hoje é vista como um organismo vivo, descentralizada. Mas, no fim da década de 80, eram valores muito fortes", relembra Zini. De fato, ele conta que, nas primeiras semanas com os novos valores em prática, sofreu uma espécie de motim.

Funcionário Pormade - Divulgação/Pormade - Divulgação/Pormade
43% dos funcionários acreditam que a maior característica da empresa é a criatividade
Imagem: Divulgação/Pormade
"O pessoal começou a desobedecer, mas no sentido de aprontar [risos]! Então chamei todos e falei: 'vocês querem voltar ao sistema de controle ou vão aprender a usar a liberdade?' O pessoal que entendia a ideia ficou furioso com os que estavam aprontando, mas aos poucos nos acertamos", conta.

Os resultados puderam ser detectados e comprovados na pesquisa FIA Employee Experience, que serviu de base para o Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar 2020. Cerca de 43% dos funcionários identificaram que a principal característica da cultura da Pormade é o estímulo à criatividade. E eles tiram proveito disso: 52% afirmaram que já fizeram propostas de mudanças à chefia e, destes, 80% tiveram feedback de que a sugestão havia sido aceita.

Como o RH criou um "canal" para a inovação

Pormade - Divulgação/Pormade - Divulgação/Pormade
Alta produtividade: 2 mil portas por dia
Imagem: Divulgação/Pormade
Esse tipo de mindset não surge da noite para o dia. Ele teve de ser incentivado e sistematizado pelo RH. "Tem que ter um momento [para a inovação], um canal. Caso contrário, o funcionário não vai desligar a máquina no meio do expediente para dar uma ideia pro diretor", explica o diretor de recursos humanos Rafael Jaworski.

No cargo desde 2016, Jaworski descreve que grande parte do seu trabalho é materializar a filosofia de Zini. Hoje, os cerca de 700 colaboradores da Pormade se organizam em 29 Grupos de Melhorias, presentes em todos os níveis - do setor administrativo ao chão de fábrica. Os membros se reúnem a cada 15 ou 7 dias para discutir metas e propostas de melhorias.

Essas novas ideias são encorajadas de duas formas. A primeira é um incentivo cultural a cometer erros, ou seja, arriscar-se e experimentar. "Há uns dois anos, o Cláudio me chamou em sua sala e perguntou o que tinha dado de errado na área de RH durante o ano. Respondi que nada de significativo. E ele falou, na hora: 'então você está tentando pouco'", relata Rafael. "Ninguém é punido por errar. Pelo contrário", conclui.

A segunda é um incentivo financeiro, o "Programa dos 5 Dias", que remunera o idealizador de uma inovação bem-sucedida com o equivalente a 5 dias do resultado financeiro que ela gerou. Todo tipo de proposta pode ser premiada. Recentemente, um funcionário foi reconhecido porque descobriu um jeito mais eficiente de realizar uma tarefa trivial: a higienização de uma passadeira de cola usada na linha de produção.

Felicidade dá dinheiro, e não ao contrário

Carlos Zini, diretor-presidente da Pormade Portas - Divulgação/Pormade - Divulgação/Pormade
Zini: "Felicidade tem que ser o motor da empresa"
Imagem: Divulgação/Pormade
Dividida entre um prédio majoritariamente administrativo no centro de União da Vitória (PR) e uma fábrica nos limites da cidade, a Pormade atualmente tem 35% do mercado nacional de portas para a construção civil. Mas, mais importante, tem fama de ser um bom lugar para se trabalhar na região - em parte devido a diversos prêmios de clima organizacional que ganhou nos últimos anos.

"Hoje mesmo, entrevistei 10 pessoas que nunca tinham trabalhado em indústria. Quando perguntei por que queriam trabalhar nisso, todos responderam que não queriam trabalhar em qualquer indústria, queriam trabalhar na Pormade", relata Rafael. Segundo ele, quem entra na empresa tende a ficar, crescer e subir da área operacional para a administrativa, já que a empresa prioriza a capacitação e promoção interna em detrimento da contratação de pessoas de fora para cargos gerenciais.

Capacitação e comunicação são outros pilares da empresa que formam um tripé com a cultura de inovação, e a potencializam. Além de uma TV corporativa com conteúdo próprio, há ainda uma rádio com atrações como o "Café com a Diretoria", uma espécie de podcast em que os Grupos de Melhorias se reúnem com os diretores para conversar sobre suas áreas e suas ideais. Já a Universidade Corporativa oferece cursos técnicos operacionais e inclui um projeto de inclusão digital com aulas gratuitas de informática a funcionários, familiares e indicados. O curso é tão disputado que chega a concorrer com as escolas de computação da cidade.

Zini acredita que a felicidade em uma organização está na liberdade de ter ideias, propor melhorias e vê-las aplicadas no dia-a-dia. "Na hora que a turma descobrir que felicidade dá dinheiro, tudo vai mudar. Isso vem desde o início do mundo. Mas as empresas estão vendo felicidade como resultado. Não: a felicidade tem que ser o motor da empresa", conclui.

O Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar é uma iniciativa da Fundação Instituto de Administração (FIA) e do UOL. A premiação é baseada na pesquisa FIA Employee Experience, respondida por 150 mil funcionários de mais de 300 empresas brasileiras, entre agosto e setembro. Confira os vencedores: